Blog I'unitá Brasil

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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Carta de Bandeira de Mello, José Afonso da Silva, Dalmo Dallari, Nilo Batista, Paulo Bonavides e Luís Barroso ao Presidente Lula

Os juristas Celso Antonio Bandeira de Mello, José Afonso da Silva, Luís Roberto Barroso, Nilo Batista, Paulo Bonavides e Dalmo Dallari haviam assinado uma carta endereçada ao Presidente Lula, antes de sua decisão pela não extradição.


Leia a carta abaixo:


CESARE BATTISTI, cidadão italiano, preso na República Federativa do Brasil desde 18 de março de 2007, por seu advogado e demais professores titulares ao final assinados, vem respeitosamente a Vossa Excelência dizer e requerer o que segue.


1. O requerente é inocente dos crimes pelos quais a República Italiana pede a sua extradição, com base em condenação baseada fundamentalmente em delação premiada e produzida em ambiente político conturbado. Em 1979, quando ainda estava na Itália, o requerente sequer foi acusado de participação em qualquer homicídio, tendo sido condenado a 12 (doze) anos de prisão por crimes políticos. Após a sua fuga para a França e depois para o México, os acusados pelos homicídios – sob intensa pressão e beneficiando-se de delação premiada – resolveram atribuir-lhe todas as culpas. Foi então julgado uma segunda vez, à revelia, e condenado à pena de prisão perpétua. Os “advogados” que o teriam representado valeram-se de procurações que vieram a ser comprovadas falsas. Foi o único acusado a receber tal pena. Todos os delatores premiados estão soltos, enquanto Battisti se tornou o bode expiatório dos movimentos de esquerda da década de 70.


2. O Egrégio Supremo Tribunal Federal negou a extradição de outros três ex-ativistas italianos no mesmo período, também envolvidos na militância armada durante os anos de chumbo, sendo que um deles igualmente acusado de crimes contra a vida. Tais decisões não causaram qualquer comoção no Brasil ou na Itália, tendo sido reconhecidas como manifestação legítima do dever internacional de proteção aos indivíduos acusados de crimes políticos. Apenas no Caso Battisti a República Italiana decidiu empreender todos os recursos financeiros, advocatícios e midiáticos para transformá-lo em um troféu político.


3. Na guerra de propaganda que se instaurou, Cesare Battisti passou a ser cognominado terrorista, embora nunca tenha sido acusado ou condenado por esse crime. O requerente foi condenado – injustamente, repita-se – pela participação em quatro homicídios: de dois agentes policiais e de dois militantes da extrema-direita. Durante 14 anos, viveu de forma pacífica e produtiva na França, sob a proteção da Doutrina Mitterand. Em 1991 a Itália chegou a pedir a sua extradição, que foi negada pelo Poder Judiciário francês. O pedido só foi renovado mais de doze anos depois, em 2004, após a ascensão de governos de direita na Itália e na própria França. Nesse novo ambiente político, a extradição foi então deferida, motivando uma nova fuga, agora para o Brasil.


4. O requerente obteve refúgio do governo de Vossa Excelência, em decisão corajosa do Ministro de Estado da Justiça, Tarso Genro, que lhe fez justiça, finalmente. A concessão de refúgio foi anulada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, por voto de desempate, contra o parecer do então Procurador-Geral da República, Dr. Antônio Fernando de Souza, enfaticamente reiterado por seu sucessor, Dr. Roberto Gurgel. Na seqüência, a extradição foi autorizada, também por voto de desempate. Não havia precedente de deferimento de extradição por maioria apertada. Além disso, a quase totalidade dos pedidos de extradição deferidos no Brasil acompanham a manifestação do Ministério Público Federal.


5. De qualquer forma, o Egrégio Supremo Tribunal Federal deliberou expressamente que a competência para a decisão final é do Presidente da República. Nessa parte, prevaleceu o voto do Ministro Eros Grau. A decisão do Tribunal apenas autoriza a entrega do súdito estrangeiro, cabendo ao Chefe do Poder Executivo realizar um juízo próprio sobre o pedido de extradição, em que deverá levar em conta os princípios constitucionais, o sistema internacional de proteção aos direitos humanos e o eventual tratado de extradição firmado entre o Brasil e o Estado estrangeiro, no caso a República Italiana.
6. Sem prejuízo da avaliação política própria que Vossa Excelência poderá fazer a respeito dos muitos aspectos envolvidos na matéria, o requerente pede vênia para enunciar alguns dos principais fundamentos pelos quais confia que sua extradição não será concedida. Embora a República Federativa do Brasil possa decidir soberanamente sobre a concessão de abrigo a estrangeiros que se encontrem em seu território, todos os fundamentos aqui apresentados se baseiam em disposições específicas do Tratado de Extradição existente entre o Brasil e a República Italiana.


7. Na verdade, o próprio Ministro Eros Grau – cujo voto conduziu a decisão da Corte na questão relacionada à competência do Presidente da República para a decisão final – identificou um dispositivo do Tratado bilateral de extradição que permite claramente a não-entrega na hipótese, segundo avaliação do Chefe de Estado que não se sujeita a reavaliação por parte do Supremo Tribunal Federal. Cuida-se do art. 3º, I, f, que admite a recusa da extradição quando haja “razões ponderáveis para supor que a situação da pessoa reclamada poderia ser agravada por razões políticas”. Como se vê, o próprio Tratado prevê a proteção ao indivíduo nos casos de mera dúvida, bastando que haja motivos para supor uma possibilidade de agravamento da situação pessoal do extraditando. Nos termos da decisão proferida pelo Tribunal, cabe a Vossa Excelência verificar a existência de tais razões, segundo sua própria convicção.


8. No caso, múltiplos elementos confirmam o risco de agravamento da situação pessoal do indivíduo reclamado. Com efeito, passados mais de trinta anos, os episódios em que se envolveu o requerente conservam elevada dimensão política e ainda mobilizam muitos setores da sociedade contra ele. Diante disso, com base nesse dispositivo do tratado e dentro do juízo político que o Supremo Tribunal Federal expressamente atribuiu ao Presidente da República, é perfeitamente legítimo que Vossa Excelência avalie que há “razões ponderáveis para supor” que a situação do extraditando “possa ser agravada por motivo de opinião política”, bem como que ele pode ser vítima de discriminação com fundamento nessa mesma razão. Essa conclusão não envolve qualquer avaliação negativa sobre as instituições atuais ou passadas da República Italiana. Aliás, a simples inclusão dessa cláusula no tratado bilateral apenas confirma que esse tipo de juízo não constitui afronta de um Estado ao outro, uma vez que situações particulares podem gerar riscos para o indivíduo, a despeito do caráter democrático de ambos os Estados.


9. De qualquer forma, veja-se que o voto do Ministro Eros Grau e a decisão do Egrégio Tribunal Federal não vincularam o Presidente da República propriamente ao art. 3º, I, f, do acordo bilateral, mas sim ao Tratado de Extradição em seu conjunto. Assim, embora o artigo em questão já seja suficiente para fundamentar a recusa de extradição, é possível ainda destacar pelo menos outros dois dispositivos que também permitem e até recomendam eventual decisão de não-entrega.


10. O primeiro deles é o art. 7º, I, do Tratado. Segundo essa previsão, a pessoa extraditada não poderá ser submetida à restrição da liberdade pessoal para execução de uma pena por fato diferente daquele pelo qual a extradição foi concedida. No caso concreto, a pena aplicada ao extraditado foi unitária – prisão perpétua pelo conjunto dos delitos – , abrangendo fatos anteriores e diferentes daqueles que motivaram o pedido de extradição, incluindo crimes políticos puros, assim reconhecidos pela Justiça italiana. Não é possível, portanto, entregar o extraditando, uma vez que o Estado requerente não poderá segregar a pena pela qual foi concedida a extradição das que resultaram de outras condenações. Esse ponto não foi objeto de pronunciamento pelo Supremo Tribunal Federal.


11. O segundo fundamento adicional consta do art. 5º, b, do Tratado. O dispositivo autoriza a recusa de extradição quando a parte requerida tenha “motivo para supor” que a pessoa reclamada poderá vir a ser submetida a pena ou tratamento que configure violação de seus direitos fundamentais. A pena de seis meses de isolamento sem luz solar incide em tal hipótese. Note-se, ainda, que até o momento a Itália não se comprometeu a comutar a pena perpétua, existindo dúvida sobre a possibilidade jurídica de autoridades do Poder Executivo realizarem a comutação de forma efetiva, uma vez que a decisão final seria uma prerrogativa das autoridades judiciárias. Tudo sem mencionar declarações públicas de que, independentemente de qualquer compromisso, a comutação não ocorrerá.


12. Como se percebe, cada um desses fundamentos seria suficiente para a recusa de extradição. A conjugação dos três apenas reforça uma eventual decisão a favor do suplicante. Diante dessas razões – e da enorme dúvida objetiva que se instaurou no Egrégio Supremo Tribunal Federal acerca da própria possibilidade jurídica de se autorizar a extradição – é consistente dizer que a posição institucional brasileira, respaldada pela Constituição e pela Convenção Americana de Direitos Humanos, deve ser favorável ao indivíduo. Essa orientação seria válida para qualquer que fosse o Estado requerente e não importa qualquer juízo crítico em relação à Itália.


13. Cabe fazer, ainda, uma última observação. O fato de o suplicante ter sido condenado no Brasil pela posse de documentos falsos, pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, não apresenta qualquer repercussão sobre o pedido de extradição e a decisão de Vossa Excelência. Tanto assim que o próprio Tratado de Extradição prevê a existência de processo ou condenação criminal no país requerido como uma das causas de recusa de extradição (art. 15, I). Vale lembrar que o suplicante chegou ao Brasil na condição de auto-refugiado, fugindo de perseguição política que considera injusta. Em situações como essa, é absolutamente impossível a utilização dos próprios documentos. Na verdade, a condenação a pena mínima de dois anos, para cumprimento em regime aberto, apenas confirmou que o suplicante não apresenta qualquer periculosidade, fato que se confirma pelos mais de 14 anos em que viveu de forma pacífica e produtiva na França.


14. O suplicante pede, respeitosamente, que Vossa Excelência leve em consideração esses fundamentos ao tomar sua decisão final acerca do pedido de extradição formulado pela República Italiana e confia que tal decisão haverá de estar de acordo com a tradição brasileira de justiça e humanidade.


15. Os advogados a seguir assinados, em nome do requerente e, também, em nome próprio, transmitem a Vossa Excelência a expressão do seu respeito e da mais elevada consideração.


CELSO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO


JOSÉ AFONSO DA SILVA


NILO BATISTA


DALMO DE ABREU DALLARI


PAULO BONAVIDES


LUÍS ROBERTO BARROSO

Carta de Anita Prestes (filha de Olga Benário) pedindo a Lula que não entregue Battisti

Exmo. Sr. Presidente da República


Luiz Inácio Lula da Silva.


Na qualidade de filha de Olga Benário Prestes, extraditada pelo Governo Vargas para a Alemanha nazista, para ser sacrificada numa câmera de gás, sinto-me no dever de subscrever a carta escrita pelo
Sr. Carlos Lungarzo da Anistia Internacional (em anexo*), na certeza de que seu compromisso com a defesa dos direitos humanos não permitirá que seja cometido pelo Brasil o crime de entregar Cesare Battisti a um destino semelhante ao vivido por minha mãe e minha família.


Atenciosamente,



Anita Leocádia Prestes




A CARTA:


Carta de Carlos Lungarzo ao Ministro Gilmar Mendes
São Paulo, 14 de novembro de 2009


Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil
Dr. Gilmar Ferreira Mendes


Prezado Senhor:


Escrevo a Vossa Excelência na simples condição de alguém que milita em defesa dos Direitos Humanos desde a adolescência, que passou por várias seções da Anistia Internacional, foi voluntário do ACNUR e da Justiça e Paz.
Não sou membro de nenhum partido político ou seita religiosa, não sou eleitor no Brasil nem em meu país de origem, não recebo dinheiro da Itália, nem de grupos terroristas.
Conheci Battisti esta semana; antes que recebesse refúgio, nunca tinha ouvido falar dele nem no grupo a que pertencia. Tampouco tenho interesse intelectual ou profissional no caso: sou um cientista e não advogado, jornalista ou político. O que me move a empenhar-me nesta causa são o sentido de solidariedade, minha visão ética da vida e, também, a vergonha que me produz pensar que possa viver sob instituições nas quais se pratica linchamento.
Embora tenha uma firme ideologia pessoal, repudio igualmente aos neofascistas italianos que perseguem Battisti e aos pseudo-esquerdistas que se enrolam na causa do revanchismo e a “vendetta”.
Acompanhei muitos casos em minha condição de membro de AI, e vi pessoas liberadas por um STF diferente: vi a liberação de Fernando Falco, na qual participei ativamente, e a do padre Medina, em cujo apoio apenas pude redigir algumas cartas. Antes disso, soube da extradição de Mário Firmenich, que foi correta.
Minha atividade em favor dos DH não foi apenas a de preencher papéis. Na década de 70 protegi refugiados do Cone Sul, vítimas da Operação Condor, com grave perigo para mim e minha família. Na década de 80 participei na resistência contra o Operativo Charlie no México e na América Central. Por tudo isso, não tenho nenhum embaraço em assumir que me sinto plenamente qualificado para exigir justiça para Battisti.
Não estou pedindo clemência. Este é um termo teológico. O extraditando merece justiça. Em meus anos de militância conheci dúzias de vítimas da repressão e posso afirmar que é relativamente fácil, nessas condições, reconhecer a têmpera de alguém. Bastou estar uma hora com Cesare Battisti para perceber que ele tem enorme coragem, o oposto exato de seus inimigos, que se movem nas sombras, protegidos pelo poder. Posso me equivocar, mas me parece certo que Battisti não poderá ser amedrontado, como não foram amedrontados Nicola Sacco, Bartolomeu Vanzetti, Joe Hill, Ethel Rosenberg, Dreyfus, Olga Benário, e muitos outros.
Não vou dizer a VE que a história nos julgará: a história é longa e talvez só mude muito tempo depois que se acabe a única vida que temos certeza que possuímos. A crença na justiça histórica é apenas uma maneira racional de fantasiar um desejo mítico de eternidade.
Mas, quero fazer uma observação prática: a realização da vingança de outros, como simples procuradores, talvez não seja um bom negócio e não se possa fazer dela um bom proveito. Muitos dirão que, apesar de que Hitler e Mussolini tiveram má sorte, esse não foi o caso de Margareth Thatcher nem do ditador Franco, e que boa parte da Espanha e da Itália ainda apóia o fascismo e seus similares, e parecem ter muito sucesso.
Mas, será realmente assim? Será que o triunfo de crueldade faz seus autores felizes?
Todos os anos, milhares de flores chegam ao túmulo de Bobby Sands e dos outros 9 heróicos garotos que levaram até a morte sua greve de forme em 1981, e não o fizeram para pedir liberdade, apenas para manifestar seu desprezo por seus infames opressores. Seu carrasco, a senhora Thatcher, só recebe os cumprimentos de subservientes empresários que enriqueceram com a ruína de seu país. Os que já não podem beneficiar-se dela, se afastaram.
Aliás, se o ódio compensa, eu gostaria de saber: por que o racismo atravessa a Itália? Por que os mesmos vândalos que exigem a cabeça de Battisti andam com tochas ateando fogo em acampamentos de africanos, árabes e ciganos, matando mulheres e crianças? Será que pessoas felizes precisam de violência?
Não digo que esses atos deveriam parar por razões morais. Os que os praticam não tem uma moral humanista: eles não acreditam na humanidade, mas nos mitos, na raça, na linhagem, nas armas.
Mas, será que os massacres, a punição coletiva, a perseguição e o papel de inquisidores medievais leva alguma felicidade a suas mentes doentias? Se não for assim, qual é a vantagem desse ódio?
Não posso evitar pensar no famoso coronel de Carandiru. Ele sentiu-se muito feliz quando massacrou 111 pessoas indefesas, mas, será que era feliz junto a sua namorada, que aplicou com ele a mesma metodologia criminosa, a única que eles conhecem?
Não estou dizendo a ingenuidade de que “a vida se vinga” ou “o mal acaba recebendo seu castigo”. A história mostra que isso não é verdade. Esta é uma idéia antropomórfica, válida para os que acreditam num destino personalizado. Há, porém, uma razão mais básica. A crueldade, a vingança e o revanchismo tornam as pessoas doentes. Não é o castigo divino; é o “castigo” de nossas próprias células.
Estatísticas feitas nos Estados Unidos, na França, durante a Guerra de Argélia, e na Nicarágua, depois da libertação, mostram que torturadores, carrascos, linchadores, têm o maior índice de problemas em sua vida afetiva. Na Georgia, por cada 9 famílias de militares com graves quadros de violência familiar, há apenas 2 famílias civis com os mesmos problemas. Em Alabama, por cada mulher de civil que apanha de seu marido, há 4,7 esposas de policiais que padecem desse problema.
Contrariamente às opiniões cheias de ódio, de sede de sangue e de “vendettas”, há muitas pessoas que valorizam Battisti, sua integridade, resistência e inteligência, sua qualidade de escritor, sua capacidade de lutar durante 30 anos e estar disposto a morrer, em vez de tornar-se delator, “arrependido”, um lacaio da máfia peninsular.
Ele não estará sozinho em sua greve de fome, e não será possível para nenhum tribunal extraditar para Itália todos os amigos de Battisti.
Excelência, sei que o VE está num nível cognitivo muito superior ao de outras pessoas que se manifestaram contra Battisti. Sei reconhecer a inteligência de alguém, mesmo quando nossos valores sejam opostos. Ouso dizer que Vossa Excelência apreciou 100% da brilhante intervenção do Ministro Marco Aurélio, e reconhece, sem dúvida, que naquela longa argumentação não há uma palavra desnecessária, uma frase que não seja precisa, uma verdade que não tenha sido exaustivamente provada.
O Ministro Marco Aurélio fez, como ninguém tinha feito, uma análise profunda da Sentença 76/88, RG 49/84 da Corte d’Assise de Milano. Ele enumerou 34 provas de que Battisti foi tratado como autor de crime político e acusado diretamente de subversivo (evversivo). Não acredito, mesmo sendo um outsider, que em direito absolutamente tudo seja assunto de opinião.
Não posso pensar que o VE acredite realmente que esses crimes foram comuns. Nunca pensaria isso, porque seria insultar vossa inteligência, e eu nunca cometeria essa impropriedade. Também tenho certeza de que o VE sabe que a causa está prescrita. A prova dada pelo Ministro Marco Aurélio é um verdadeiro teorema, que só pode nos inspirar pena pelos que pretendem defender o parecer contrário.
Percebi que VE ouviu às poucas mas precisas ironias do Ministro Marco Aurélio sobre o cinismo do governo italiano e seus xenófobos e racistas partidários, ao descrever as 12 maiores injúrias que os mais altos políticos fizeram da cultura e do povo brasileiro e até de seus magistrados. Ele fez isso, olhando “olho no olho” do Embaixador Italiano, que naquele momento abandonou a empáfia e fechou o rosto.
Sei que VE entendeu que o Ministro Marco Aurélio desmascarou os interesses políticos e psicológicos (ressentimento, vingança, propaganda, revanchismo) que nada têm de jurídico e se escondem detrás de um julgamento feito com todas as violações possíveis aos Direitos Humanos e ao devido processo. E que ele também ressaltou o idealismo das gerações que lutaram contra a barbárie na década de 70, sem se importar que os vândalos usassem farda ou se vestissem à paisana.
Seria impossível duvidar de que VE ouviu a um dos maiores magistrados da atualidade falar da ditadura do judiciário, algo que conduzirá à catástrofe não apenas da instituição do refúgio, mas de toda a democracia.
Tampouco VE ignora muitos fatos que, embora não tenham sido narrados no dia 12, são de absoluta evidência: Que o governo da Itália se utiliza da organização DSSA para sequestrar refugiados no exterior, que o ministro italiano Clemente Mastella disse aos parentes das vítimas que não cumpriria sua promessa feita ao Brasil de limitar a prisão de Battisti aos 30 anos, que Battisti morreria na Itália pelas mãos de seus algozes e, portanto, que a declaração de greve de fome de Battisti é a evidência de que prefere uma morte digna por sua própria mão.
Em fim, Senhor Presidente: Vossa Excelência sabe que o Ministro Marco Aurélio está certo, e hoje há milhares de pessoas que sabem disso. Não o conheço e não posso julgar se os Direitos Humanos e a Justiça são importantes ou não para Vossa Excelência.
Mas, caso o sejam, VE tem uma excelente oportunidade de cumprir com esses direitos e honrar a justiça:
Admita o empate e outorgue ao réu o benefício da dúvida!


Atenciosamente


Carlos Alberto Lungarzo
Matrícula de Anistia Internacional (USA) 21525711

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

TELLINHO AMA BOBÓ QUE AMA NANDINHO QUE NÃO AMA NINGUÉM


O formato do programa Canal Livre da Rede Corinthians de Comunicação é bom , os entrevistados    normalmente são bem escolhidos , o problema é a equipe de apresentadores.
No último domingo a pauta do programa era a seguinte : 20 anos da campanha presidencial de 1989 .
A idéia era fazer paralelos entre o que Collor e Lula disseram em 1989 e o que eles dizem hoje , com um passeio pela vida política dos dois durante a década de 1990.
Boris Casoy foi o líder na autoria de anacronismos cometidos , Fernando Mitre a mesma lengalenga de sempre , Antonio Telles cada dia mais inútil no programa , inclusive causando constrangimento , como quando disse que Lula instituiu o mensalão , e Joelmir Betting salvando , com comentários , quase sempre , mais saudáveis.
Borys insiste em confirmar a teoria de que quem tem tudo pra ser feliz e não é é porque não pratica o esporte mais popular do mundo. O cara já encheu o saco com esse papo anti-lula , ele chega a admitir que o governo Lula vai bem mas diz que isso não tem quase nada a ver com a pessoa do presidente.
Fernando Mitre é sempre Maria vai com as outras quando tem Borys na jogada , ridículo.
A Band Gaviões deve manter Antonio Telles , esse velho decrépito e sem noção de nada , por caridade. Ele tem uma coisa de falso entendido (  leia-se Luís Fernando Veríssimo ) , que fala , fala e não diz nada.
Joelmir é um bom jornalista e ponto.
Não defendo os erros do governo Lula e nunca aplaudi as alianças que ele fez e que vem fazendo , agora pra assegurar o futuro de Dilma como sua sucessora , que eu acho uma idiotice , analisando como cidadão ,  porque , se analisarmos politicamente veremos o seguinte , pra ele tanto faz se a Dilma será eleita ou não. Se ela for eleita ele continua no poder , ou não , se considerarmos a hipótese dela se rebelar , mas mesmo se isso acontecer , não será negativo para seus planos políticos , pelo contrário , ela pode fazer merda e o povo sentirá saudade dele em menos tempo e matará essa saudade acumulada votando e  elegendo-o em 2014 , como será se os tucanos vencerem.O mesmo , talvez , não fosse possível  se o candidato a seu sucessor fosse Eduardo Suplicy.
Às vezes eu penso que Fernando Henrique é o amor da vida de Borys e que ele não se conforma em não ter seguido com ele quando eram mais jovens , afinal , o que mais pode explicar a forma com que Borys fala do plano real , como sendo o único responsável por tudo de positivo que vem ocorrendo na economia brasileira nos últimos tempos? Sem dúvida é um fator importante , só não podemos esquecer que o Fernadinho não soube obter sucesso com sua própria criação.
E parece que Borys esquece do PROER quando enche a boca pra falar do PAC. Acho também que não se lembra dos 200 mil casos de dengue e do início da baderna dos sanguessugas quando critica o ministério da saúde , que sempre esteve doente , a diferença é que nos últimos tempos , volta e meia tem força pra passear no pátio sujo do hospital super lotado em que se encontra desde que nasceu.
E o nosso velhinho louco , Antonio Telles , que já esqueceu do Juiz Lalau e seus amigos tucanos e só fala de Marcos Valério e seus amigos petistas? Quando fala que Lula compactuou  com o que está errado quando foi contra a CPI da PETROBRÁS , que seria idiota demais , e que proteje aliados mostra que esqueceu que fim levou o Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia. SUDAM e SUDENE então , é coversa de louco varrido.
Alguém se lembra por quanto a CVRD foi vendida ? Eu lhes digo , por dez vezes menos do que valia , de acordo com estimativas de especialistas do mercado na época. E de quanto custou a reeleição de FHC , alguém se lembra ? Acho que nomes como Ronivon Santiago e João Maia certamente já esqueceram. E os lobistas envolvidos e protegidos por FH na privatização da TELEBRÁS , quem se lembra , quem se lembra ?
Eu poderia ficar aqui com recordações que me são impostas pela minha consciência. Como o FMI dizendo como que o brasil deveria proceder na economia , poderia lembrar de pasta rosa , de apagão por  causas diferentes das do último. Mas não , vou parar por aqui , ao menos hoje.




Afonso Hipólito

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

REDE CORINTHIANS BANDEIRANTES DE COMUNICAÇÃO


Eu não consigo entender o que se passa na cabeça dos dirigentes da Rede Corinthians Bandeirantes de Comunicação pra manter um sujeito chato , estúpido e semi-analfabeto como Milton Neves em seu quadro de funcionários. Talvez seja a mesma coisa que os faz manter o não menos chato , um pouco menos prepotente , tão ignorante quanto ou mais e com diploma acadêmico Oscar Roberto Godói .
A incompetência de Oscar Roberto Godói deixa bem claro que o STF agiu certo ao derrubar a lei de impressa pois , aí podemos ver que o diploma não garante a capacidade profissional de um jornalista e que , no caso de uma empresa de comunicação , a responsabilidade é de seus dirigentes que são os contratantes.
No caso de Luciano do Vale eu diria que , em seu lugar e com seu dinheiro eu iria arranjar outra coisa pra fazer na vida , como viajar com a família , afinal , ele não mostra nada novo desde que começou , e faz tempo. Que dê lugar pra quem fará melhor.
Já o Neto , acho que ele tem se esforçado , e depois , ele tem como atenuante a humildade , se parece estúpido de vez em quando , eu diria que são as más companhias. Ele tem como melhorar , basta estudar um pouco , e eu nem falo de formação acadêmica. Bem , se nada disso convence , podemos citar que ele nos faz rir e afronta o Milton Neves , isso é positivo.
Renata Fan , se tá dissimulando gostar e entender de futebol tá fazendo muito bem , independente disso ela tem futuro e eu gosto dela.
Fernando Fernandes e Ceará são bons e eu gosto deles.
Osmar de oliveira cumpre seu papel quando aparece , não sei que papel é , só sei que cumpre.
Sérgio Noronha eu acho um chato mas é profissional.
Eu não sei por que diabos eu tô aqui discorrendo sobre o quadro inteiro de profissionais de jornalismo da emissora de São Paulo se tudo que eu quero é dizer que Miltom Neves e Oscar Roberto Godói são incompetentes e insuportaveis.


Afonso Hipólito

terça-feira, 10 de novembro de 2009

MURICY RAMALHO NÃO É SÓ CHATO , É ESTÚPIDO


Muricy Ramalho foi um um grande jogador (meia) e assim como outros grandes teve a carreira abreviada em decorrência de sucessivas contusões.
Além de jogar bem , Muricy , jovem ainda , jogando pelo São Paulo , já dava mostras de ser um grande caráter. Em 1977 , contundido e tendo sua volta posta em dúvida por jornalistas , torcedores e até dirigentes , do próprio São Paulo , inclusive , continuou apoiando o time , indo aos treinos , concentrações e o São Paulo sagrou-se campeão pela primeira vez no brasileiro com o maior número de participantes até hoje (64 ) em cima do Atlético Mineiro , time com a melhor campanha do campeonato e do qual fazia parte o artilheiro da competição ( Reinaldo - 28 gols ). A decisão , pela primeira vez , foi por pênatis , depois de uma partida acirrada que terminou em 0 a 0 no mineirão em 5 de março de 1978.
Apesar de atuar em algumas partidas do brasileirão de 1978 , Muricy teve pouca participação na conquista do bi do São Paulo e trocou o clube pelo Puebla do México em 1979 , lá conquistou o Campeonato Mexicano em 1983 e se aponsetou em 1985 , como já disse , em razão de uma série de contusões.
Após a aposentadoria como jogador , Muricy iniciou uma carreira de treinador em seu último clube em 1993.
Em 1994 estava no São Paulo como auxiliar técnico de Telê Santana mas com alguma autonomia.Treinou o time reserva que foi campeão da Conmebol 1994. Quando Telê se aposentou por problemas com a saúde , Muricy assumiu o time pra logo depois ser substituído por Carlos Alberto Parreira , substituído pelo próprio Muricy , que ficou pouco tempo e saiu pra entrada de Darío Pereyra. Já estamos em 1997.
A partir daí não parou mais . Conquistou a Copa da China pelo Shanghaï Shenhua em 1998 , fez um bom trabalho no Figueirense em 2002 que salvou o time da segundona , no ano seguinte foi campeão gaúcho com o internacional , campeão paulista em 2004 com o São Caetano , campeão gaúcho e vice-campeão brasileiro pelo Internacional em 2005.
Em 2006 foi convidado para assumir o São Paulo depois que Emerson Leão pediu demissão mas alegou que não negociaria com nenhum clube enquanto estivesse ligado ao Internacional por contrato. O São Paulo contratou Paulo Autuori , substituído por Muricy logo depois. A partir de então Muricy conquistou os brasileiros de 2006 , 2007 e 2008 e só saiu pra entrada de Ricardo Gomes em 2009 sob fortes comentários de que a diretoria do clube paulista teria agido de má fé durante o processo de sua demissão e contratação do novo técnico.
A diretoria do Palmeiras sondou Muricy que disse que não negociava com time que tinha técnico - o time do Palmeiras vinha sendo dirigido interinamente por Jorginho e muito bem. A partir daí estamos aqui.
Toda essa caminhada pela trajetória de Muricy é pra gente lembrar que ele tem história , tem talento , não em excesso como uns e outros gostam de afirmar mas tem , é um profissional de caráter e muitos outros predicados certamente ele tem mas nada disso justifica a estupidez , quase sempre gratuita , dele com jornalistas. Chega de dizer que ele é só rabugento , afinal , ele vem destratando e muitas vezes até ofendendo muitos jornalistas e se o problema dele é descontrole emocional , e é o que tá parecendo , é um problema que ele tem que tentar resolver com um médico especialista e dinheiro pra isso ele tem pois ganha bem no Palmeiras onde não tem feito um bom trabalho.





Afonso Hipólito