Blog I'unitá Brasil

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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Deputado emprega vereador

Por Diego Casagrande



Um vereador deveria ter o mandato voltado exclusivamente para atender às necessidades  dos eleitores,fiscalizar o Executivo e participar das reuniões de comissões permanentes ?
Para o vereador de São Domingos do Norte,Evanildo Piffer (PT do B),a resposta é não.Ele acumula a função com a de assessor parlamentar do deputado Henrique Vargas (PRP/foto) ,que assumiu seu primeiro mandato no legislativo estadual no dia primeiro de fevereiro deste ano.
O vereador recebe da Câmara de Vereadores um salário mensal de R$2.800,para trabalhar duas vezes por mês,nas sessões que acontecem de 15 em 15 dias.
"Consigo conciliar bem as duas funções.Nunca faltei a nenhum deia de trabalho na Assembléia Legislativa.Duas vezes por mês,preciso sair às 14  horas para chegar a tempo na secão da Câmara,mas compenso esse horário fazendo menos horas de almoço",contou Evanildo.
Para atuar como chefe de gabinete (supervisor geral de gabinete parlamentar) ,Evanildo recebe R$ 7008,60   e disse que atua dentro da legalidade.
"Sou funcionário efetivo da Prefeitura de São Domingos do Norte e trouxe meu vínculo de lá pra cá.Consutei a assessoria jurídica da Câmara e da Assembléia Legislativa.Está tudo dentro da legalidade",defendeu-se o vereador.
Indagado como fazia para atender os eleitores,  já  que tem mandato em São Domingos do Norte mas passa a semana na Grande Vitória ,o vereador respondeu que faz contatos por telefone.
Eu atendo eles aqui,pelo telefone mesmo.Toda hora me ligam e aí resolvo os problemas.Também nos finais de semana e depois e depois das sessões faço atendimento à população",garantiu Piffer,que disse que não é repreendido por Henrique Vargas,mesmo fazendo  os contatos na hora do trabalho.
O deputado elogiou a atuação de seu assessor."Ele é um cara que faz a interlocução com outros políticos.Faz um trabalho sensacional.E,por ele atuar como vereador,não há impedimento em trabalhar conosco já que as sessões são de 15 em 15 dias",disse o deputado



Artigo 38 da Constituição Federal    


I  - Tratando-se de mandato eletivo(...) ficará afastado de seu cargo,emprego ou função;II - investindo no mandato de prefeito,será afastado do cargo,emprego ou função,sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração;III - investindo no mandato de vereador,havendo compatibilidade de horários,perceberá a s vantagens de seu cargo,emprego ou função,sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo,e,não havendo compatibilidade,será aplicada a norma do inciso anterior.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Justiça condena José Ignacio e Maria Helena

A Justiça condenou o ex-governador José Ignacio Ferreira,a ex-primeira dama Maria Helena Ruy Ferreira (então secretária de Trabalho e Ação Social) e o ex-vice governador Celso José de Vasconcellos por suposto desvio de quase um milhão de reais do Fundo de Amparo  ao Trabalhador(FAT),em 1999.
Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF),eles utilizaram o dinheiro para contratações irregulares de cabos eleitorais que teriam atuado na campanha do ex-governador ,além de amigos e familiares.
Os três foram condenados ao ressarcimento corrigido do valor desviado,multa em cem vezes a remuneração atual dos cargos que ocupavam no governo na época,perda da função pública,suspensão dos direitos políticos por cinco anos e proibiçãode contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos por três anos.
A Secretaria de Trabalho e Ação Social,à época,recebeu R$ 878 mil reais para serem utilizados na qualificação de mais de 10 milpessoas.Contudo,foi celebrado um convênio com uma fundação como mero artifício para empregar pessoas para campanha.




Pedro Callegario

quinta-feira, 31 de março de 2011

JAIR BOLSONARO E SEUS ABSURDOS EM 2000

Publicação da revista  ISTOÉ GENTE de 14 de fevereiro de 2000 


"Eu defendo a tortura"

 

O deputado que defende fuzilamento de FHC ficou 28 anos sem falar com o pai alcoólatra

Cláudia Carneiro
Foto: Roberto Jayme

Entre os companheiros de quartel no Rio de Janeiro, o capitão reservista do Exército Jair Messias Bolsonaro era conhecido como "cavalão". Seu porte atlético, em 1,86 metro de altura e 75 quilos, desenvolvido nos exercícios da Escola de Educação Física do Exército, garantiu-lhe o título de pentatleta das Forças Armadas. Mas foi a língua solta que o ajudou a ganhar fama nacional, quando começou a questionar governos, há mais de uma década, para defender a corporação à qual pertenceu. Nas últimas semanas, manteve o hábito de causar polêmica ao propor o fuzilamento do presidente Fernando Henrique Cardoso. No terceiro mandato federal, eleito com 103 mil votos, o deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ), 44 anos, abre fogo contra colegas da Câmara dos Deputados que combateram a ditadura militar, defende a tortura, a censura e a pena de morte e não se arrepende de ter pregado o fuzilamento do presidente. Pai de três filhos adolescentes com a primeira mulher, Rogéria Bolsonaro, e de um bebê com a segunda, Cristina, 32 anos, Bolsonaro revela em entrevista a Gente que sonha disputar a Prefeitura do Rio de Janeiro. "Mas eu não estou preocupado em ser prefeito. Eu quero é espaço."

Teme algum dia ser cassado por suas declarações?
Não. Se um soldado está na guerra e tem medo de morrer, é um covarde. Se eu fosse cassado, seria o parlamentar cortando seu próprio direito de opinião, palavra e voto. Tenho poucos inimigos dentro da Câmara.


Ainda acha que o presidente deveria ser fuzilado?
Eu não errei em falar isso naquele local, naquela oportunidade e naquele momento. E acho que tenho o direito de falar. Eu não xinguei o presidente, nem disse que ele não conhece o pai dele. Acho que o fuzilamento é uma coisa até honrosa para certas pessoas.


Isso não é incitação ao crime?
Se eu estivesse conspirando, não falaria isso. Não é difícil matar o presidente. Só tem que ter coragem. O esquema de segurança dele é falho. Por exemplo, tenho uma casa no litoral em Mambucabinha, próxima do local onde ele passeia quando vai a Angra dos Reis. Sou primeiro lugar no curso de mergulho do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Bastava planejar. E as chances de sucesso de se cumprir a missão são grandes. Não é difícil eliminar uma autoridade no País. Isso até serve para alertar o presidente.

Como isso seria feito?
Tudo depende de planejamento. Pode-se pegar uma arma com mira e matar o presidente em Brasília. Com uma besta (espécie de arco e flecha) dá para eliminar uma pessoa a 200 metros. Até com um canivete dá para chegar no cangote do presidente. Mas quero deixar claro que não estou incitando ninguém a fazer. E não tenho nenhum plano para eliminar o presidente. Eu não partiria para uma missão suicida.


O senhor fuzilou alguém?
Não. Eu já saquei arma uma vez. Estava indo a pé para o quartel, no Rio, por volta da meia-noite, e vi que estava sendo perseguido. O elemento então saiu correndo. Devia ser um ladrão barato.


Seus colegas de Congresso o consideram uma pessoa truculenta. Como o senhor é em casa?
Nunca bati na ex-mulher. Mas já tive vontade de fuzilá-la várias vezes. Também nunca dei um tapa num filho. Gosto de chamar para conversar, contar piadas.


O que levou ao fim seu casamento de 19 anos?
Meu primeiro relacionamento despencou depois que elegi a senhora Rogéria Bolsonaro vereadora, em 1992. Ela era uma dona-de-casa. Por minha causa, teve 7 mil votos na eleição. Acertamos um compromisso. Nas questões polêmicas, ela deveria ligar para o meu celular para decidir o voto dela. Mas começou a freqüentar o plenário e passou a ser influenciada pelos outros vereadores.


Não era uma atitude impositiva de sua parte?
Foi um compromisso. Eu a elegi. Ela tinha que seguir minhas idéias. Acho que sempre fui muito paciente e ela não soube respeitar o poder e liberdade que lhe dei. Mas estou muito feliz na minha segunda relação. Vivo muito bem com a Cristina.


O que o senhor acha da legalização do topless?
Não sou contra, não. Desde que seja com a mulher dos outros. Depois que todas as mulheres estiverem usando, aí a minha poderá usar. O fio dental foi um escândalo e hoje é normal. Tudo é evolução.


E sobre a legalização do aborto?
Tem de ser uma decisão do casal.


O senhor já viveu tal situação?
Já. Passei para a companheira. E a decisão dela foi manter. Está ali, ó. (Bolsonaro aponta para a foto no mural de seu filho mais novo, Jair Renan, de 1 ano e meio, com Cristina.)


O senhor segue alguma religião?
Eu acredito em Deus. Sou católico. Mas é coisa rara ir à Igreja. Eu já li a Bíblia inteirinha, com atenção. Levei uns sete anos para ler. Você tem bons exemplos ali. Está escrito: "A árvore que não der frutos, deve ser cortada e lançada ao fogo". Eu sou favorável à pena de morte.


Pena de morte é a solução?
Acho que um elemento que pratica um crime premeditado não pode ter direitos humanos. O José Gregori (secretário nacional dos Direitos Humanos) fala em indenizar os familiares dos 111 mortos no Carandiru. E ele não dá uma palavra às viúvas e órfãos que os 111 fizeram em sua vida de marginalidade.


A polícia agiu corretamente no Carandiru?
Continuo achando que perdeu-se a oportunidade de matar mil lá dentro. Pena de morte deve ser aplicada para qualquer crime premeditado.


Isto inclui tráfico de droga?
Aí é outra história, aí eu defendo a tortura. A pena de morte vai inibir o crime. Nunca vi alguém executado na cadeira elétrica voltar a matar alguém. É um a menos.


Em que outras situações o senhor defende a tortura?
Um traficante que age nas ruas contra nossos filhos tem que ser colocado no pau-de-arara imediatamente. Não tem direitos humanos nesse caso. É pau-de-arara, porrada. Para seqüestrador, a mesma coisa. O objetivo é fazer o cara abrir a boca. O cara tem que ser arrebentado para abrir o bico.


E a tortura praticada pela ditadura militar?
Admito que houve alguns abusos do regime militar, mas a tortura não foi em cima de um simples preso político. Aquelas pessoas estavam armadas e matavam. Só na Guerrilha do Araguaia perdemos 16 militares.


O senhor disse que o deputado José Genoino (PT-SP) era mentiroso e delatou seus companheiros da Guerrilha do Araguaia. O senhor tem provas?
Tenho informações seguras. Eu tenho orgulho de dizer que não fui um Genoino da vida, um deputado mariposa. O Genoino fala que pegou em armas por dois anos. O que ele fez nesses dois anos? Assaltou bancos, seqüestrou? Quantos ele matou?


O que pensa sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo?
Eu sou contra. Não posso admitir abrir a porta do meu apartamento e topar com um casal gay se despedindo com beijo na boca, e meu filho assistindo a isso.


Tem algum homossexual na família?
Graças a Deus, não. Eu desconheço. Se tivesse, nem quero pensar.


E como o senhor trata da liberação sexual com seus filhos?
Certas coisas não se pode ser contra ou a favor. Prefiro que um filho meu leve uma namoradinha para dentro de minha casa, num dia que eu não esteja lá, do que ele ser rendido na rua e assassinado dentro de um carro.


Como foi que o senhor perdeu a virgindade?
Com 17 anos de idade. Meio tarde, né? Meus filhos vão pegar no meu pé por causa disso. Eu estava na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas. Ninguém tinha dinheiro. Juntávamos uns 20 alunos, fazíamos um sorteio, íamos para o baixo meretrício e os cinco sorteados faziam fila com a mesma mulher.


Seu pai era agressivo em casa?
Eu não conversava com ele (Percy Geraldo Bolsonaro, morto em 1995) até os 28 anos de idade. Ele bebia descaradamente e brigava muito em casa, com minha mãe e os filhos. Mas nunca bateu em filho. Um dia constatei que não iria mudá-lo. Resolvi pagar uma pinga para ele. Nos tornamos grandes amigos.


Por que decidiu ser militar?
Por causa do Lamarca. Eu tinha 15 anos de idade, usava cabelo com gumex, calça boca-de-sino, sapato "cavalo de aço", quando o Lamarca passou por Eldorado Paulista, em 1970. O Exército chegou lá. Eu então conheci e me apaixonei pelo Exército brasileiro.


Pretende disputar nova eleição para a Câmara? 
Tenho que ficar com os cabelos mais brancos para um dia tentar um cargo no Executivo. Na Prefeitura do Rio de Janeiro, para eu fazer meu nome. Daí, quando perguntarem sobre enchente num debate, eu vou responder sobre reservas indígenas. Não estou preocupado em ser prefeito, eu quero espaço, quero mostrar o que a mídia não mostra.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Caso Cassaro: senteça deve ser decretada somente nesta quinta

Por Dalila Travaglia (dalila@eshoje.com.br) 




O segundo dia de júri sobre o assasinato do então prefeito de São Gabriel da Palha, Anastácio Cassaro, pode ser definitivo para o destino de um dos acusados. Carlos Smith Frota é um dos cinco acusados pelo crime, e o único que está sendo julgado. Durante toda a manhã desta quarta-feira (30) uma testemunha foi ouvida. Estima-se que outra seja ouvida a tarde, além do réu.

Durante todo o dia de terça-feira (29), três testemunhas foram ouvidas. A filha do ex-prefeito, Sandra Cassaro acredita que ainda nesta quarta seja fechado o julgamento. "O juiz está fazendo uma reconstituição do caso, trabalhando o processo como um todo. Espero que ainda hoje (quarta) saia a sentença", declarou.
Todos os acusados de partipação no crime deveriam estar sendo julgados, no entanto, quatro dos cinco réus no processo estavam sem advogados. Dois deles alegaram que o mesmo advogado estava com problemas de saúde e não pode comparecer. O advogado José Pedro de Barreto defenderia os acusados Fernando Lourenço de Martins e Edvaldo Lopes de Vargas, porém uma cirurgia de urgência fez com que ele se ausentasse do compromisso.

Os outros dois, Jorge Antônio Costa e Luis Carlos Darós, afirmaram não ter condições para pagar um defensor. O juiz entendeu que os quatro acusados não tinham condições de ir a juri, e os liberou do Fórum.  De acordo com Sandra, essa foi uma manobra argilosa, onde eles usaram de muita esperteza.
O julgamento dos quatro acusados, foi adiado para o dia sete de junho.

Relembre o caso. Anastácio Cassaro foi morto em 3 de abril de 1986, com dois tiros na cabeça, dentro de seu automóvel, em Goiabeiras, Vitória. Na época do crime, a promotoria entendeu que o motivo seria o interesse público. O prefeito teria sido assassinato para que o vice Firmino Martins ocupasse seu cargo.
Martins, no entanto, com 86 anos, foi liberado pela justiça, com o pedido de crime prescrito. Até 2009, o processo estava parado. Na época do crime Sandra Cassaro tinha 20 anos, e afirmou não saber o teor do processo. Em 2009 ela fez uma denúncia ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e conseguiu retomar o caso. A filha da vítima relembra que o pai era muito querido na cidade, conhecido como "estufa urna" no município.

Movimentos Solidários. Grupos ativistas contra a violência de sete estados do país estavam no juri nesta terça-feira (29) para apoiar a família Cassaro. Hiper Carneiro é de João Pessoa (PB), e representa o grupo "Mães no Dor". Ela teve a filha Aryane Thaís assassinada grávida há 11 meses pelo namorado. Ela afirmou que voltará ao estado para o julgamento dos outros quatro acusados em junho. "É necessário dar esse apoio, só quem perde um ente sabe a dor. Enquanto vida eu tiver vou clamar essa vóz que não cala", declarou.
O grupo Movimento pela Vida (Movida), estava representado pela paraense Andrelina Pereira, que perdeu o filho também assassinado em 2008. O pai de Gabriela Prado Maia, Carlos Santiago, do movimento "Gabriela sou da Paz" morta por bala perdida no Rio de janeiro há 8 anos, também reforçava o apoio e solidariedade a família Cassaro.
 

segunda-feira, 28 de março de 2011

Médicos fecham Hospital São Lucas e denunciam superlotação na unidade



Médicos que atuam no Hospital São Lucas, em Vitória, interditaram a unidade e afirmam que a situação virou caso de polícia na noite deste domingo (27). Aproximadamente 50 pacientes foram atendidos em macas improvisadas no chão e os corredores foram transformados em enfermaria. A pedido dos trabalhadores o Sindicato dos Médicos do Espírito Santo paralisou os atendimentos na unidade.
"A Central Reguladora de Vagas não está oferecendo vagas, a Secretaria de Saúde não está comprando vagas e então acontece essa superlotação de pacientes pelos corredores do Hospital São Lucas, que está parecendo um campo de guerra. Está parecendo um hospital de batalha com pacientes graves, politraumatizados e pacientes com respiradores de uma UTI móvel do Samu", relata Otto Batista, presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes).
Durante a interdição, um paciente com politraumatismo provocado por acidente foi levado para hospital, mas ficou sem atendimento e não resistiu ao ferimento. De acordo com o presidente do Simes, a morte poderia ter sido evitada. "Esse paciente que chegou na noite deste domingo veio a óbito pela carência de materiais para atender urgência ou emergência. Mesmo não sendo paciente grave, politraumatizado, ele precisa de um atendimento digno. O paciente precisa ter um setor de equipamentos que venham corresponder àquela gravidade", afirma o Otto.
O sindicato vai recorrer ao Conselho Regional de Medicina e ao Ministério Público. "Tivemos que apelar para o Boletim de Ocorrência na polícia para fechar a porta do hospital porque não tem condições de trabalho. Agora nós queremos a interdição ética até que tudo se resolva e os responsáveis respondam por esses atos", declara o médico.
Na opinião do presidente do Simes, o Governo do Estado seria uma alternativa para minimizar a superlotação no Hospital São Lucas a custo prazo. "Existe um processo que está nas mãos do Governador em relação a uma clínica de cirurgia plástica na Enseada do Suá. Ela foi desapropriada, está para receber uma indenização dessa desapropriação e já está tramitando há alguns meses. No local tem 50 leitos e pode comportar 200 leitos, além de ter uma UTI com toda a estrutura para sete leitos. Está aí a alternativa e agora falta vontade política do governador e fazer com que essa unidade possa absorver os pacientes que estão nos corredores das unidades da Grande Vitória", finaliza o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado.




Folha Vitória

sexta-feira, 25 de março de 2011

Julgamento 25 anos após o crime

Após 25 anos, os acusados do assassinato do prefeito
Anastácio Cassaro serão julgados por júri popular.
Foram 25 anos de impunidade. No próximo dia 29,
terça-feira, às 8h30, o Tribunal do Júri de Vitória começa a
definir o futuro dos acusados de matar o então prefeito de
São Gabriel da Palha, Anastácio Cassaro, na época com 59
anos de idade.
Para a família, termina a angústia
da expectativa de que a Justiça
será aplicada aos envolvidos
no crime, que chocou a sociedade
capixaba.
O prefeito foi morto na noite de
3 de abril de 86 com dois tiros de
revólver disparados pelas costas.
Estava dentro de um carro, ia sair
em companhia do filho, o ex-deputado
estadual Arildo Cassaro, e
seu sobrinho, Evaldo de Castro,
quando foi emboscado em Goiabeiras,
Vitória. O pistoleiro fugiu
num Chevette branco sem placa,
acompanhado de um comparsa.
Em abril de 86,
mês da execução,
Cassaro estava na
capital para finalizar
detalhes da organização
da Festa
do Café, preparando
a visita do então
presidente da República
e atual senador
José Sarney.
Naquela noite
passara na casa do
filho, como era seu
costume, para seguir
viagem. Como
consequência da visita,
foi executado.
Seu sobrinho foi baleado
com dois tiros,
um em cada perna.
Durante as investigações,
revelou-se
que o crime foi encomendado
por interesses
políticos.
Os réus apontados
como mandantes
permanecem em liberdade:
Fernando
Lourenço de Martins
(filho do viceprefeito),
o médico Edvaldo Lopes
de Vargas, Jorge Antônio
Costa, Carlos Smith Frota e Luís
Carlos Darós, o Rosquete. Já os
executores, José Sasso e Jorge
Bilce, foram eliminados. Sasso foi
envenenado no presídio de Linhares
e Bilce, morto numa emboscada
em Rondônia.
No processo, figurava como
mandante o então vice-prefeito
Firmino de Martins. que teve decretada
a extinção da punibilidade.
A decisão do juiz Marcelo
Soares Cunha levou em conta a
prescrição do delito, em função
de Firmino ter completado 70
anos.
A denúncia foi apresentada pela
então representante do Ministério
Público Estadual, promotoraMagda
Regina Lugon, à 3ª Vara
Criminal de Vitória. Todos os
c i t a d o s n o p r o c e s s o n º
024.890.235.393 foram indiciados.
O juiz criminal da época, Paulo
Nicola Copolillo, recebeu a denúncia
e determinou a prisão dos
acusados no dia 15 de abril de 86,
12 dias após o homicídio. O crime
contra Anastácio Cassaro foi
qualificado pela
Promotoria Pública
como vingança por
motivo torpe.
O então prefeito
de São Gabriel da
Palha era conhecido
pela rigidez na administração,
não
permitia negociatas
e malversação com
dinheiro público,
portanto, contrariava
grupos com interesses
em auferir
vantagens na prefeitura.
O grupo Consórcio
de Crime tramava
a execução de
Cassaro para possibilitar
a ascensão ao
cargo do vice-prefeito
Firmino de
Martins, pai de Fernando
Martins, de
acordo com o inquérito.
O prefeito
havia sido avisado
de que estava marcado
para morrer.
A mesma denúncia
foi encaminhada ao secretário
da Segurança da época, Dirceu
Cardoso. Um vereador denunciou
o envolvimento de Jorge
da Costa, subdelegado de São
Gabriel da Palha. Costa tinha sido
exonerado e foi instaurado inquérito
administrativo contra ele
por Cassaro.
Então, por vingança, associouse
aos outros interessados no crime.
O policial foi responsável por
intermediar a contratação dos
pistoleiros.
Vamos aguardar o final dessa
novela infeliz.



Pedro Maia

Mais pessoas poderão ser denunciadas pela morte do juiz Alexandre Martins

Mais pessoas poderão ser denunciadas pela morte do juiz Alexandre Martins
Oito anos depois do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, o procurador geral de Justiça do Espírito Santo, Fernando Zardini, disse que mais pessoas estão sendo investigadas e que poderão ser denunciadas pela morte do magistrado.

A informação foi dada na manhã de ontem (24/03), minutos antes de Fernando Zardini abrir sua participação no Seminário da Luta Contra o Crime Organizado, no Centro de Convenções de Vitória, em Santa Lúcia.

O seminário foi promovido pelo Instituto Alexandre Martins de Castro Filho, presidido pelo pai do juiz assassinado, o advogado Alexandre Martins de Castro.

Ao final das investigações, 10 pessoas foram indiciadas e processadas pelo assassinato do juiz: quatro homens já foram condenados como executores do crime; enquanto três receberam condenação pela acusação de intermediar o assassinato. Outros três respondem processo em liberdade como acusados de serem os mandantes.

O procurador geral de Justiça, Fernando Zardini, foi questionado pelos jornalistas, antes de sua palestra, sobre as revelações do livro “Espírito Santo”, que traz informações de bastidores sobre as investigações do assassinato do juiz Alexandre Martins, ocorrido em 24 de março de 2003, em Itapoã, Vila Velha.

Uma das informações cita nomes (de forma fictícia) de policiais militares e outras personalidades capixabas que teriam tentado prejudicar as investigações do assassinato.

Porém, os PMs e as demais pessoas não têm seus nomes citados nos inquéritos policiais e nem nos processos judiciais. Foi aí que Fernando Zardini respondeu que novas investigações estão em andamento pelo Ministério Público Estadual:

“Todos os fatos enxergados pelo Ministério Público estão sendo acompanhados por intermédio de investigação feita por um grupo de promotores de Justiça. Vamos esperar os desdobramentos. Se, após a conclusão das investigações, o Ministério Público concluir que essas pessoas tiveram envolvimento direto ou indireto no crime (assassinato do juiz), elas deverão ser denunciadas à Justiça”, disse Zardini.

O procurador geral de Justiça preferiu não revelar quantas pessoas a mais estão sendo investigadas. No entanto, lembrado pelos jornalistas que o livro “Espírito Santo – escrito pelo ex-secretário da Segurança Pública e deputado estadual Rodney Miranda, o juiz Carlos Eduardo Lemos Ribeiro e o sociólogo carioca Luiz Eduardo Soares – cita de forma fictícia o nome do ex-comandante geral da PM, coronel Marcos Aurélio Capita, Fernando Zardini confirmou que ele (Marcos Aurélio) é um dos novos investigados.

“Mas há outras personalidades também hoje sendo investigadas pelo Ministério Público. Mais pessoas poderão ser denunciadas, mas para isso vamos depender das investigações”, disse Zardini.

O chefe do Estado Maior da PM, coronel Renato Duguay, compareceu nesta manhã na primeira parte do Seminário da Luta Contra o Crime Organizado. Ele cumprimentou o pai do juiz assassinado, o advogado Alexandre Martins, que também é coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro.

Ao final das palestras da manhã – que teve ainda o juiz federal Américo Bedê Freire Júnior e diretor da Faculdade de Direito de Vitória, professor Antônio José Ferreira Abikair –, Renato Duguay conversou com a Rádio CBN:

“Por conta de sua proximidade com a sociedade, a Polícia Militar tem que se fazer presente num evento como esse. Outros eventos midiáticos, contra pessoas de conduta ilibada, podem até encobrir casos mais graves que acontecem no Estado. Eu apoio qualquer trabalho investigativo. Como diz o ex-governador Paulo Hartung, a onça está ferida, mas não está morta. E como diz o ex-secretário da Segurança, Rodney Miranda, o crime organizado existe dentro da PM, mas que é praticado por uma minoria”, disse Renato Duguay.



Em setembro de 2004, os executores do crime, Odessi Martins da Silva, o "Lumbrigão", e Giliardi Ferreira, foram condenados a 23 anos de prisão. Giliardi ganhou progressão de regime no ano passado e cumpre pena em liberdade desde o dia 23 de dezembro de 2010. Lombrigão teve o pedido de progressão negado e continua detido no Presídio de Segurança Máxima em Viana. Quando esteve preso no presído federal de Catanduvas, no Paraná, Lombrigão teria sido flagrado com um quilo de maconha dentro do presídio. Pegou mais cinco anos de condenação por tráfico.

Entre outubro e novembro de 2005, a 4ª Vara Criminal de Vila Velha realizou quatro julgamentos distintos em que foram condenados pelo júri popular os ex-sargentos Heber Valêncio e Ranilson Alves da Silva, e ainda Fernando de Oliveira Reis, o Fernando Cabeção, como intermediários do crime. Os demais envolvidos no assassinato do juiz, André Luiz Barbosa Tavares, o "Yoxito" e Leandro Celestino dos Santos (o Pardal), também foram condenados no mesmo ano.

Ranilson, Heber Valêncio – os dois foram expulsos da PM por ordem da Justiça – e Xoxito receberam progressão de regime e hoje cumprem pena em regime aberto

A Justiça Estadual ainda vai julgar os acusados de serem os mandantes da morte do juiz: o juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira, o coronel da reserva Walter Gomes Ferreira e o ex-policial civil Cláudio Luiz Andrade Baptista, o Calu. Todos os três, que estão soltos, já foram pronunciados pelo crime para ir a júri popular pela 4ª Vara Criminal de Vila Velha, mas recorrerem da decisão e aguardam uma solução por parte do Supremo Tribunal Federal.


por Elimar Côrtes