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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Morte de Ustra consagra a impunidade

Por Mario Magalhães


A morte do coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, aos 83 anos, consagra a impunidade no Brasil.
Na condição de major do Exército Brasileiro, Ustra comandou de 1970 a 1974 o Destacamento de Operações de Informações do II Exército, em São Paulo.
O DOI chefiado por Ustra (não confundir com Codi) foi o principal centro urbano dedicado a tortura, morte e desaparecimento de oposicionistas durante a ditadura que vigorou de 1964 a 1985.
Ninguém torturou e matou tanto quanto a turma do DOI de Ustra.
Lá os agentes do Estado, violando até as leis da ditadura, cometiam toda sorte de barbaridades contra presos políticos, incluindo o estupro de moças e o empalamento de moços.

Há incontáveis depoimentos e provas de que Ustra não só ordenou como participou de sessões de tortura.
O DOI era um campo de concentração tipicamente nazista.
Se não matava seres humanos em câmaras de gás, tirava-lhes a vida com tamanha violência que fragmentos do cérebro ficavam grudados às paredes.
A morte de Ustra é uma triste notícia para as consciências democráticas.
Porque o comandante de campo de concentração escapou de ser punido pela Justiça.
Ainda chegará o dia em que o Brasil, em passo civilizatório, não eternizará a impunidade dos autores de crimes imprescritíveis, de abusos contra a humanidade.
Ustra, contudo, não estará mais aqui para ser julgado e condenado.
O coronel retrata a impunidade maldita que estimula novas gerações a repetirem o que de mais terrível foi feito pelas do passado.
É como o nazista matador que escapou dos tribunais.
O torturador e assassino, covarde a soldo do Estado, foi embora sem pagar pelo que fez.
Triste Brasil.

Foto: Aqui

Hoje, a impunidade venceu a justiça.

por Tatiana Merlino 



Hoje é um dia triste. Morreu, aos 83 anos, Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-CODI, um dos maiores centros de tortura da ditadura civil-militar. Viveu 60 anos a mais do que meu tio, Luiz Eduardo da Rocha Merlino (foto), a quem ele impediu de seguir sua vida ao comandar as intermináveis sessões de tortura que o levaram à morte, em 19 de julho de 1971. Ustra morreu de “morte morrida” e não de “morte matada”, como suas vítimas.
Dia triste para todos familiares de mortos e desaparecidos sob suas ordens. E para os que sobreviveram às torturas. Porque Ustra morreu num hospital. Deveria ter morrido na prisão. Dia triste porque morreu sem ser julgado e preso.
Durante décadas, familiares de mortos e desaparecidos lutaram por justiça. Apenas em 2008 foi declarado torturador pela justiça paulista em ação movida pela família Teles. Em 2012, foi condenado, em primeira instância, a pagar uma indenização à minha família, em ação por danos morais. No país em que torturador da ditadura não é punido, foi o pouco que se conseguiu.
Hoje, a impunidade venceu a justiça.